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domingo, 2 de setembro de 2007

Meditação


Por indicação de um grande amigo meu, estou lendo o quinto capítulo de “O Livro Tibetano do Viver e do Morrer”, do mestre espiritual budista Sogyal Rinpoche, editado no Brasil pela Palas Athena Editora. Neste capítulo, cujo título é “Trazendo a Mente para Casa”, o autor fala sobre a meditação.

Para despertar o interesse e como forma de apresentar um trecho-síntese deste interessantíssimo texto, veja o que diz Sogyal Rinpoche na página 86:


O Buda se sentou no chão em serena e humilde dignidade, com o céu sobre ele e à sua volta, como para mostrar-nos que na meditação você se senta com uma atitude mental aberta como o céu, embora permaneça presente na terra e com os pés no chão. O céu é a nossa natureza absoluta, sem barreiras e infinita, e o chão é a nossa realidade, nossa condição relativa e ordniária. A postura que assumimos quando meditamos significa que estamos ligando absoluto e relativo, céu e terra, espaço e chão, como duas asas de um pássaro, integrando a imortal natureza da mente, semelhante ao céu, e o solo da nossa natureza mortal e transitória.

A dádiva de aprender a meditar é o maior presente que você pode se dar nesta vida. Porque é apenas através da meditação que você pode empreender a jornada para descobrir sua verdadeira natureza e assim encontrar a estabilidade e a confiança de que necessita para viver e morrer bem. A meditação é o caminho para a iluminação.

(Sogyal RINPOCHE. “O Livro Tibetano do Viver e do Morrer”. Palas Athena. Pág. 86)

A partir do trecho acima, o texto segue se aprofundando neste tema e trata sobre treinamentos, práticas e métodos para a meditação. Muito interessante e recomendável.

Que a Paz prevaleça. E que as boas notícias ecoem pelo Universo e encontrem ressonância em todos os seres.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Gandhi

Nesta mesma data (30 de janeiro), há 59 anos atrás (1948), morreu Mohandas Karamchand Gandhi. Este indiano dedicou sua vida em busca da verdade (satyagraha; do sânscrito: satya – verdade, agraha - busca), liberdade, igualdade, respeito e tolerância às diversidades (por sinal, foi assassinado por um hindu que justamente não aceitava sua tentativa de conciliar duas profissões de fé divergentes, como hinduísmo e islamismo). Através de seu carisma, liderou milhões de indianos para a conquista da independência da Índia, então sob domínio inglês. A oposição à metrópole britânica proposta por Gandhi baseava-se no princípio da não-violência (ahimsa). Conforme suas próprias palavras:



“O que quer que façam conosco, não iremos atacar ninguém nem matar ninguém; estou pedindo que vocês lutem, que lutem contra o ódio deles, não para provocá-lo. Nós não vamos desferir socos, mas tolerá-los, e através do nosso sofrimento faremos com que vejam suas próprias injustiças e isso irá ferí-los, como todas as lutas ferem, mas não podemos perder, não podemos... Eles poderão torturar meu corpo, quebrar meus ossos, até me matar, então terão meu corpo inerte, mas não a minha obediência” (Gandhi)



E assim, através de boicotes aos produtos ingleses, manifestações pacíficas, desobediência civil às leis injustas e perseverança por longos anos, o povo indiano obteve sua independência no ano de 1947.


Portanto, não é à toa que também nesta data é comemorado o Dia da Não-Violência. Gandhi legou-nos, através de atos e palavras, o testemunho de uma vida dedicada à cultura de paz, mostrando-nos que através da não-violência é possível vencer – fazer o bem em troca do mal. De fato, esta atitude perante à vida e aos conflitos soa bastante incomum em uma sociedade competitiva como esta que construímos e mantemos. Provavelmente foi este o motivo que levou Einstein a dizer o seguinte sobre Gandhi:

“Generations to come will scarce believe that sucha one as this walked the earth in flesh and blood.”
(Tradução livre: “As gerações por vir dificilmente acreditarão que um homem como este realmente existiu e caminhou sobre a Terra.”)


Antes de Gandhi, outras grandes almas (vêm do sânscrito “Mahatma”, nome atribuído a ele) também pregaram a cultura de paz e a não-violência. Jesus Cristo revoga a lei do “olho por olho, dente por dente”, condenando a vingança – não retribuir o mal com o mal. "Bem-aventurados os pacificadores porque serão chamados filhos de Deus", diz o Mestre de Nazaré em seu Sermão da Montanha.


Siddharta Gautama, o primeiro Buda, ensina-nos a importância de se evitar o mal e a praticar o bem: "Praticar o bem, abster-se do mal e purificar seus pensamentos, são os mandamentos de todo iluminado." E diz ainda que: "Jamais, em todo o mundo, o ódio acabou com o ódio; o que acaba com o ódio é o amor."


Os grandes Mestres sempre apontaram que “a paz é o caminho”. Desenvolver a cultura de paz implica na prática cotidiana de cada um, para que haja uma verdadeira conversão. Ou ainda, como diz Gandhi: "Faça da tua vida um reflexo da sociedade que desejas."


Que Gandhi e outras grandes almas nos inspirem. Que a Paz prevaleça. E que as boas notícias ecoem pelo Universo e encontrem ressonância em todos os seres.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

A Fábula do Beija-Flor

Conforme comentei no post anterior, disse que publicaria também “A fábula do beija-flor”. A exemplo da anterior, esta é mais uma história bem curta porém de grande profundidade.

Era uma vez um incêndio na Floresta. Todos os animais fugiam desesperados. Um beija-flor fazia um caminho diferente. Ele pegava com o bico gota por gota da água de um lago e jogava sobre o fogo. Um tatu, ao ver aquele cena, perguntou intrigado:
- Beija-flor, você acha mesmo que pode apagar um incêndio?
- Tenho certeza que não – respondeu o pequeno pássaro – mas eu faço a minha parte.


Certamente, todos nós temos um “tatu” e um “beija-flor” internamente. A diferença entre uns e outros é a qual deles damos ouvidos, qual deles priorizamos. Será que, na maioria das vezes, somos como o tatu que deixa de fazer sua parte e age em benefício próprio? Ou também somos como o beija-flor, que mesmo consciente de sua incapacidade para resolver todo o problema se dispõe a fazer o que lhe é possível em benefício da coletividade?

Que o beija-flor que habita o interior de cada um de nós possa nos inspirar a continuar lutando mesmo quando a batalha pareça perdida, a continuar esperando mesmo contra toda esperança e a continuar acreditando que, mesmo que seja de gota em gota, estamos contribuindo para apagar o incêndio. Certamente o conjunto de pequenas ações serão fundamentais para as grandes mudanças. E como cantou o grande mestre Raul Seixas: "Tenha fé em Deus, tenha fé na vida. Tente outra vez!"

Que a Paz prevaleça. E que as boas notícias ecoem pelo Universo e encontrem ressonância em todos os seres.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Nada de nada

Recentemente li uma história que me pareceu estar relacionada com as idéias e os temas divulgados aqui no Olhar Mutante. Trata-se de um pequeníssimo conto chamado “Nada de nada”, cuja autoria é de Kurt Kauter.

- Sabes me dizer quanto pesa um floco de neve? – perguntou um pardal a uma pomba.
- Nada de nada – foi a resposta.
- Nesse caso, vou lhe contar uma história maravilhosa. – continuou o pardal.
– Eu estava sentado no ramo de um pinheiro quando começou a nevar. Não era nevasca pesada ou furiosa. Nevava como em um sonho: sem ruído nem violência. Já que não tinha nada melhor a fazer, pus-me a contar os flocos de neve que se acumulavam nos galhos e agulhas do meu ramo. Contei exatamente 3.741.952. Quando o floco número 3.741.953 pousou sobre o ramo, nada de nada como você diz, o ramo se quebrou.
Dito isso, o pardal partiu em vôo.
A pomba, uma autoridade no assunto desde Noé, pensou um pouco na história e finalmente refletiu:
- Talvez esteja faltando uma única voz para trazer paz ao mundo.


O texto acima traz uma profunda lição para todos aqueles que se dispõem a refletir sobre este tema e, melhor ainda, que se dispõem a ser voz ativa em busca da paz.

Cada um de nós é responsável pela paz, e se cada um fizer sua parte é possível mudar o mundo. Para aqueles que ainda não se convenceram disso, futuramente publicarei mais duas outras histórias (“A fábula do beija-flor” e “O Centésimo Macaco”), que juntamente com esta acima pode nos guiar para uma reflexão sobre o nosso papel enquanto “seres humanos condenados a amar”.

Que a Paz prevaleça. E que as boas notícias ecoem pelo Universo e encontrem ressonância em todos os seres.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

O preço da paz

O capitalismo e seus produtos certamente promoveram (e promovem) muitas maravilhas a fim de proporcionar conforto, das quais somos testemunhas – embora nem todos possam desfrutá-las. Entretanto, esse “desenvolvimento” legou-nos também seus sombrios subprodutos: violência, pobreza, insegurança e terror.

Dentro desse contexto, parece-me ser bastante emblemática uma matéria publicada recentemente pela INFO Online, onde se revela que um magnata da Internet estaria disposto a doar US$ 1 bilhão se o Estado Palestino e Israel alcançarem um acordo de paz. Explico-me.

Mesmo em um caso único e particular como este, tal notícia nos traz indícios de que nós os seres humanos começamos a mudar nossa consciência, dispondo-nos a abrir mão de dinheiro em troca de paz. Começamos a perceber que há algo mais importante que simplesmente acumular bens materiais.


Mas, infelizmente, creio que este esforço não será suficiente para que se inicie a paz no Oriente Médio e no mundo. Como afirma o preâmbulo do Ato Constitutivo da UNESCO:

“Since wars begin in the minds of men, it is in the minds of men that the defences of peace must be constructed”.

“Uma vez que a guerra inicia na mente dos homens, deve ser nas mentes dos homens que as defesas da paz devem ser construídas”. (Tradução livre)


Portanto, não podemos assumir a paz como um fenômeno externo ao ser humano, como uma mera ausência de violência. Esta visão reducionista faria com que abordássemos apenas uma parcela do problema, que seria a resolução – provisória – do conflito, tal como desarmamentos e documentos para garantir um tênue acordo de paz.

De acordo com a visão mais ampla da UNESCO, a paz deve ser construída a partir de um estado de felicidade interior (ecologia interior), harmonia social (ecologia social) e relação sustentável com o meio ambiente (ecologia planetária).

Assim, a construção da paz exige a emergência de novos valores humanos e também uma nova educação transdisciplinar e integradora, capaz de promover a necessária mudança de paradigma. O esforço será imenso, mas talvez seja o único meio de coexistirmos junto com a Grande Mãe Terra. E certamente muitas consciências humanas já estão se movendo neste sentido.

Que a Paz prevaleça. E que as boas notícias ecoem pelo Universo e encontrem ressonância em todos os seres.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Por um novo olhar

Atualmente, muitas pessoas consideram a mídia de massa uma fonte de más notícias. Conheço pessoas que até mesmo deixaram de ler jornais ou assistir televisão como uma forma de evitar a freqüente veiculação de catástrofes e tragédias.

Também eu observo que os meios de comunicação em geral publicam excessivamente más notícias, pois infelizmente este é o tipo de notícia que “vende”. Talvez seja uma questão de paradigma da imprensa, juntamente com a banalização de aspectos negativos (mortes, tragédias, corrupção, etc.) por parte do grande público, constantemente exposto a tais produtos da mídia.

Porém, esta não é a única possibilidade. Existe também a trilha cujo objetivo é a valorização da Cultura de Paz, promovendo a não-violência, a tolerância, o respeito, a cooperação e a solidariedade. Imbuídos deste espírito, instituições e iniciativas diversas ao redor do planeta buscam difundir estes valores que contribuem para a paz entre os seres humanos.

Consoante a estes movimentos positivos, este espaço pretende ser uma alternativa aos veículos midiáticos estabelecidos, onde os destaques são as más notícias. A partir de uma proposta de transmissão, comentários e análises de boas notícias e iniciativas que buscam um mundo melhor, o objetivo é ressaltar que também – e principalmente – há poesia e beleza em nossas vidas, embora muitas vezes não tomemos conhecimento. Precisamos tentar educar nossos sentidos e nossa mente para este “admirável mundo novo”.

Por acreditar que este outro mundo (melhor, certamente) é possível, buscarei mostrar que muitos já estão em marcha, mãos e corações à obra, para a construção desta Casa Comum.

Que a Paz prevaleça. E que as boas notícias ecoem pelo Universo e encontrem ressonância em todos os seres.